Óleo de Cozinha e Óleo Lubrificante

Estes tipos de resíduo também assolam e contaminam o sistema ambiental, devido ao seu descarte realizados tanto pela população quanto por empresas. O óleo lubrificante,  descartado sem qualquer cuidado, pode atingir os corpos hídricos e o solo e ir afetando-os aos poucos; mesmo em menor quantidade do que o óleo de cozinha, ele pode ir provocando uma degradação mais ampla e mais rápida. Para garantir o controle adequado e descarte correto dos óleos lubrificantes de motorizados, os postos de gasolina devem relacionar quantas trocas já foram feitas em cada veículo por meio de formulário com nome e dados do proprietário. Por meio deste documento, é possível realizar relatório de descarte semanal ou mensal,  podendo punir, portanto, qualquer ato que não esteja de acordo com as normas. Vale ressaltar que a frota de motorizados no Brasil cresce a cada ano.

O óleo lubrificante é usado nos motores para que eles funcionem adequadamente. Todos os consumidores têm o dever de saber as datas de troca do óleo lubrificante do seu veículo e como se realiza o descarte adequado, feito geralmente em postos de gasolina e mecânicas. Anualmente bilhões de litros de óleos lubrificantes são comercializados e acabam virando lixo, o que requer uma gestão completa deste tipo de resíduo. A pessoa que estiver fazendo a troca deve sempre encaminhar da maneira correta e para local adequado o óleo lubrificante usado, assim como suas embalagens. É importante ressaltar que isso depende sempre da união de todos por um ambiente digno e saudável.

Não se sabe qual é a parcela de resíduos de óleos lubrificantes que é descartado corretamente, tampouco o percentual que acaba sendo descartado no meio ambiente. Em uma oficina mecânica, por exemplo, parte do óleo escorre, se proliferando desde a calçada e ruas até chegar nos rios por meio de bueiros, não sabendo-se a extensão dos danos à natureza e aos seres vivos. De acordo com pesquisas, um litro de óleo, seja de cozinha ou lubrificante, pode impactar um milhão de litros de água, contaminando-a. Daí, portanto, a necessidade de fazer o manusear estes produtos com cuidado e alguma proteção, o óleo pode vazar e acabar contaminando o solo e a água de forma irreversível. Uma solução possível é adotar divisórias ou calhas que possa reter e direcionar o derramamento do óleo para um coletor, caso isso ocorra.

     

O óleo é extremamente prejudicial, principalmente quando as pessoas pegam quaisquer resquícios de produto e despejam diretamente no ralo. As empresas que trabalham com óleo também devem se precaver, e para se atingir uma melhoria contínua em reciclagem devemos sempre inovar. A Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais afirma em relatório que entre 7.950 milhões e 8.050 milhões de toneladas de óleo são consumidos no Brasil. De acordo com análise feita em  uma moradia de 10 pessoas, o consumo da família gira em torno de quatro garrafas de 600 mililitros de óleo por mês, num total, portanto, de 2,4 litros por mês. Deste total, calcula-se que um quarto do produto é descartado pelo ralo.

Em seu processo de descarte, esses líquidos correm por todas as galerias do esgoto, causando impactos que com o decorrer dos anos pode afetar todo o corpo hídrico. Segundo estudos de gestão ambiental, o Brasil tem uma taxa de acesso a saneamento básico de apenas 20%; portanto, diversas residências não possuem esgoto tratado e nem a “caixa de gordura”. Sendo assim, o óleo não é filtrado e acaba atingindo os corpos hídricos e consequentemente o ecossistema como um todo.

Os óleos lubrificantes, conforme dito,  devem ser monitorados até o destino final adequado, pois pode poluir a água e o solo. Esta substância contém elevados níveis de hidrocarbonetos (BORIM,2004) e de metais (EKANEM, 1997; GONÇALVES, 1998), entre eles: ferro, chumbo, zinco, cobre, cromo, níquel e cádmio. A queima indiscriminada dele, sem tratamento prévio de desmetalização, gera emissões significativas de óxidos metálicos, além de outros gases tóxicos, como dioxina e óxidos de enxofre (BORIM,2004).

Para termos uma excelência e qualidade sobre o óleo lubrificante, é necessário que ele seja monitorado para uma melhor gestão da destino final, algo da maior importância. Todo este sistema está assentado na máxima estabelecida no art. 3º da Resolução CONAMA nº 362/2005: “Art. 3º. Todo o óleo lubrificante usado ou contaminado coletado deverá ser destinado à reciclagem por meio do processo de refino.”

As companhias que trabalham com Estação de Tratamento de Esgoto (ETE), gastam recursos para separar o óleo nos chamados tanques de flutuação. Se as pessoas seguirem descartando incorretamente este tipo de resíduo, o trabalho das ETE aumentará, sendo necessários mais recursos para retirar todo o óleo da água. Para realizar a reciclagem do óleo, o consumidor deve guardar seu cupom fiscal referente à quantidade de óleo adquirida no mês, controlando, assim, o seu consumo. Quando uma residência ou empresa deixa de apresentar o relatório de consumo de óleo pelo período de três meses, pode ser multado. Por causa de todo este processo, a situação dos empreendedores que trabalham com reciclagem de olho melhorará,  pois demandará de mais mão-de-obra, gerando emprego e renda.

Novas tecnologias surgem a cada dia visando diminuir a degradação ambiental. É o caso, por exemplo, da maior usina de reciclagem do mundo; esta empresa promete transformar a massa gordurosa do óleo de cozinha em energia renovável, que suprirá as necessidades de 40 mil residências na Inglaterra. Tendo em vista o beneficiamento que ela pode trazer e o custo da energia no Brasil, é uma alternativa de uso para o resíduo do óleo.